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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Coisas fáceis são para meninos...

Ontem fomos às compras ao supermercado. O Marcos foi direito à secção dos livros. Queria um livro de actividades. E eu disse-lhe que ele tinha vários em casa e ainda não tinha terminado todos. Ele disse que queria uma coisa mais difícil. Porque no ATL vê os meninos fazerem fichas com coisas difíceis e engraçadas e as dele é só desenhos e coisas para ligar e sublinhar formas (só aqui um parêntesis para dizer há meninos no ATL até aos 12 anos). Lá lhe consegui encontrar uma coisa que lhe agradasse, com letras e algumas pequenas frases. Mesmo assim torceu o nariz, queria mais difícil. Depois mostrei-lhe um do 2º ano, já com imensos textos e frases para completar e o coiso e lá se decidiu pelo outro. Ainda lhe perguntei se queria qualquer coisa de preparação para exames tipo Físico-Química ou assim do 9º. Para já ficou com aquele…

 

Agora no JI estão com uma actividade gira que é o livro vai-vem. Todas as segundas vem um livro novo, para lermos com ele durante a semana e depois no fim faz uma ficha com um desenho do livro e avaliação do mesmo.

Digamos que é ele que nos lê o livro, nós só o ajudamos a ler alguma palavra mais difícil.

 

Sim, a primeira classe é capaz de ser um aborrecimento para ele quando lá chegar...

Tem uma certa graça

Por acaso curto bastante malta que durante anos não se lembra da minha existência, não pergunta se estou viva ou morta, mas depois um dia precisam de alguma coisa e já se lembram que uma pessoa existe, para pedir ajuda e informações e tal e coiso...

 

 

 

 

Sim, eu vi a Super Nanny e vou comentar sobre isso

Porque não ver e comentar seria parvo, certo?

 

Eu tenho uma certa aversão a este tipo de programa dos canais genéricos. Quase nunca vejo nada porque raramente me identifico e tenho coisas mais úteis para fazer.

 

Só fui ver quando percebi: 1º que havia um programa com este nome e este conteúdo 2º porque me apercebi das polémicas em torno do mesmo.

 

O primeiro comentário que me surgiu com este programa foi com o próprio nome. Onde é que aquilo é uma Super Nanny, ou uma Nanny de todo?

 

Nanny em inglês significa ama. Ama é uma pessoa que cuida de uma criança na ausência dos pais, sendo que os pais normalmente deixam a criança entregue aos seus cuidados na casa da ama. Se for na própria casa onde a criança reside, existem as babysitters para tomar conta da criança na ausência dos pais.

 

Só por isso, fiquei logo um bocado de comichão.

 

Então, em suma, o primeiro episódio focava-se numa criança de 7 anos, deliciosamente rotulada como “Furacão Margarida” (mais pontos a favor, isto parece o thriller de um filme) com comportamentos inadequados (birras, bater na mãe, recusa em dormir na sua cama, etc…) e uma grande falta de autonomia em coisas um bocado básicas para a sua idade (não se vestia sozinha, não tomava banho sozinha (obviamente que uma criança desta idade deve ser vigiada, mas deve já saber ensaboar-se e passar o corpo por água), não lavava os dentes sozinha, não comia sozinha, etc…).

 

Naturalmente que as crianças desenvolvem todas a diferentes ritmos, mas há coisas que já seria esperado que uma criança em idade escolar fizesse (porque quando está na escola, tem de comer sozinha, ir ao WC sozinha).

 

E também é natural que os pais, por vezes, não saibam lidar correctamente ou de todo com o comportamento dos filhos (escusam de vir já as Super Mães, que sabem tudo e têm crianças lindas e sempre limpas e bem comportadas, que isso pode ser verdade numa percentagem bem pequena de casos, mas todos sabemos que na maioria dos casos é muita garganta, mas vai-se a ver e não é). Quantas vezes não me passei da marmita, não dei uma palmada, não mandei um berro, não me senti a não saber como lidar com uma certa situação, não chorei por sentir que estava a perder o controlo? Muitas vezes desde logo porque se estiver cansada tenho menos paciência (ah e tal, uma Super Mãe nunca está cansada! Parabéns, eu não sou uma Super Mãe) para as fitas, os revirar de olhos, as respostas tortas, as teimosias e por aí fora. E já tive momentos em que senti que havia problemas para lá da minha capacidade e recorri a ajuda profissional.

 

Não gostei da exposição tão clara de uma criança, em especial em momentos de suposta intimidade familiar e de vulnerabilidade. É demasiado show off, mas infelizmente são estas porcarias que conseguem audiências, é “demasiado bom” ver os outros a fazer figuras tristes. Acho que o programa a funcionar neste formato tinha de ter a cara da criança desfocada, para dizer o mínimo. Ainda que, eles tenham mostrado a casa das pessoas por fora e a localidade onde residiam, e identificando de forma clara a mãe e a avó, quem as conheça identifica a criança. Mas ao menos, para quem não as conheça, a criança ficava resguardada.

 

Depois, há coisas que não são claras. A criança era filha de pais separados, mas não se percebe se tem algum contacto com o pai, em que moldes e qual o tipo de relação.

 

E esta questão teria sido importante para perceber certos comportamentos da criança, que em certa medida me pareceram ter a ver com raiva, confusão, chantagem emocional com a mãe por causa do pai.

 

Muitos pais se calhar identificaram-se com o programa e acharam útil na medida do aproveitamento das dicas dadas pela “Super Nanny” para lidar com os problemas.

 

Não questiono muito as dicas que foram dadas: a criação de limites é essencial para que as crianças saibam onde e como se enquadrar e, mais, para perceberem que gostamos deles, a definição de regras, o reforço positivo, a recompensa, não me choca. Há muitas técnicas para o fazer, mas desde que resulte e se traduza em a criança se sentir amada, apreciada, auto-confiante e que consiga ganhar mais autonomia é tudo bom.

 

Mas havia muitas formas de ter um programa com dicas para os pais de crianças “problemáticas” e esta não gostei.

 

O excesso de exposição da criança, a “Supper Nanny” a avaliar presencialmente as situações e a dar conselhos em frente à criança, mostrando à criança as fraquezas da mãe (podia ter visionado vídeos e falar com a mãe posteriormente), enfim, não gostei de nada daquilo.

 

Eu diria que os pais que aceitaram participar neste programa provavelmente receberam dinheiro para isso e isso ajuda muito com a resolução dos problemas. É melhor a SIC pagar-me qualquer coisa e eu expor o meu filho na televisão do que ter eu de pagar consultas com um psicólogo ou psiquiatra.

 

A “Super Nanny” é na verdade uma psicóloga que, como não pode ir para um programa de TV no seu papel de psicóloga (porque está proibida pela Ordem), se põe numa atitude meio arrogante e de distanciamento e, quando as criticas começaram a chover, pôs-se logo na atitude do “isso é problema da SIC, eu só vim cá receber o meu, não estou cá como psicóloga”. Se não está como psicóloga então não faz falta! Sinceramente, não é uma pessoa à qual recorresse enquanto psicóloga se tivesse necessidade, depois de ter visto o que vi.

 

Não gostei da forma com ela falou com a mãe e com a criança. Demasiado professoral, quando muito daquilo é senso comum. Muito distanciamento em relação à criança. Uma atitude pouco profissional de colocar a mão na testa num “oh meu Deus, nem acredito no que estou a ver” assim um bocado snob. Um bom psicólogo, mais do que bichanar aos pais o que fazer, tem de criar uma ligação com a criança, para conseguir entrar dentro da sua cabeça, perceber os seus problemas e ajudar a resolver os problemas de fundo. Resolvendo esses, o resto vai. Mas é preciso tempo.

 

Por isso, acho que o fórum para resolução deste tipo de problemas não é num programa televisivo com este formato. É abrir os cordões à bolsa e pedir ajuda profissional como deve ser.

 

Até porque chegamos ao fim e a sensação que fica é que houve ali uma ligeira melhoria e depois voltou um bocado ao mesmo.

 

Não estou certa de que tenha ajudado realmente a criança e a mãe/avó. Além de que a criança agora se deve fartar de ser gozada na escola, o que vai ajudar ainda mais a aumentar os problemas.

 

E, pessoas, a sério que compararam este programa com o do César Milan? A sério, que encontraram semelhanças? Nem vou comentar isto…

Fresquinho!

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Assim que o vi nas novidades, os meus olhos brilharam de emoção. E tive de o pedir à Saída de Emergência.

O anterior livro desta autora, que me foi emprestado pela minha prima, foi lido com muitas emoções à flor da pele.

É o mesmo que espero desde, senão mesmo mais lágrimas, considerando o enquadramento que é feito na sinopse. Apesar de ser novamente num cenário de II Guerra Mundial, vai tocar mais directamente no ponto Auschwitz, por isso deve ser pesadote.

Veio mesmo no dia certo porque, como acabei anteontem o livro que estava a ler, fui-me logo a ele e foram logo 50 páginas de rajada.

 

É um daqueles livros que receamos ler, mas que temos de ler...promete!

 

Sinopse

Um bebé nascido nas barracas de Auschwitz em 1944 e uma sonata composta por um jovem oficial alemão dão origem a duas histórias que se cruzam… 

Décadas depois do fim da II Guerra Mundial, Amália, uma portuguesa com ascendência alemã, começa a levantar o véu do passado nazi da sua família a partir de uma partitura que lhe é revelada pela sua bisavó. A hipótese de que o avô, dado como morto antes do fim da guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro leva Amália a atravessar o oceano e a conhecer um casal de judeus sobreviventes do Holocausto.

A ascensão do nazismo em Berlim, a saga dos judeus húngaros, os mistérios ocorridos no campo de extermínio da Polónia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos oferecem os caminhos que Amália irá percorrer para desvendar o enigma. Dando corpo a uma narrativa elaborada com extrema sensibilidade e precisão investigativa, Luize Valente envolve o leitor em mistério, suspense e nos sentimentos mais profundos.

 

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Leitura Terminada

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A Quinta Essência sugeriu-me este livro e ainda bem que o fez.

Porque foi um livro que, quando o vi nas novidades, li a sinopse e pensei “este livro não é para mim”.

Pois bem, este livro surpreendeu-me positivamente, porque não era bem o que estava à espera. Isto quando se diz que é erótico, uma pessoa pensa em coisas a atirar para o Mr Grey ou pior e dispensa bem.

Só que este livro é bastante diferente.

Para já, é a primeira incursão da autora num livro adulto. Até este livro dedicava-se a literatura infantil com imenso sucesso.

E é um livro espectacular. Porque é tudo descrito com um pormenor bastante gráfico, que nos faz imaginar muito bem os cenários, mas sem ser uma escrita que nos aborreça, porque ao mesmo tempo é uma escrita ligeira. E, por isso, é um livro que depois de começarmos temos dificuldade em largar.

Porque nos ligamos imediatamente a Tully e sofremos com ela desde a infância, o que nos dá um bom enquadramento para percebermos a sua vida quando mais crescida, nomeadamente a sua entrada na vida das cortesãs.

Porque há personagens à sua volta com os quais também criamos empatia. E conseguimos desprezar todas as personagens que têm mau carácter.

Porque nos conseguimos transportar para o ambiente londrino do século XVIII (sem as descrições mais exaustivas, como já li por exemplo com a Lesley Pearse).

Porque nos encantamos com os poderes sobrenaturais de Tully, que consegue ter uma ligação a espíritos, vê-los e falar com eles e até torna-los visíveis aos outros se for preciso, para além de conseguir levitar e fazer objectos andarem pelos ares.

Porque sofremos as suas perdas, os seus desgostos e vibramos com as suas vitórias e conquistas.

Porque é uma história que consegue fazer uma ligação perfeita entre a ficção histórica, a fantasia, o sobrenatural e o erotismo, de tal modo que nos esquecemos quase da componente mais erótica, porque rapidamente somos distraídos por outros momentos.

Atenção que a componente erótica também está presente e portanto há descrições sobre momentos de intimidade sexual com algum pormenor.

Mas perdemo-nos em tudo o resto e, no geral, o que torna este livro especial é a forma como engloba as várias componentes.

E adorei as revelações e o twist finais! Acho que a Tully teve o final que merecia.

Muito obrigada à Quinta Essência por me ter feito chegar este exemplar e por me fazerem ler um livro mais fora da minha zona de conforto!

Fico curiosa com novos livros adultos desta autora.

 

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