Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Leitura Terminada

350x.jpg

"Vais adorar o Arlindo" disse-me alguém. Arlindo é o nome carinhoso pelo qual trata M. J. Arlidge. Um autor novo para mim, mas em relação ao qual já tinha os pré-avisos de ser muito bom.

E foi!

Como sabem, para lá dos romances e tal, também me perco nestes livros tipo policial/thriller psicológico.

E este livro tem todos os bons ingredientes para um livro nessa categoria.

Tem uma personagem principal, a Helen Grace, que é uma detective cheia de garra e determinação, com muita coragem, mas atormentada por um passado tenebroso com necessidade de libertar frustrações e agonias de uma forma especial.

Tem um conjunto de crimes que se sucedem, todos com a mesma componente muito marada de serem raptadas duas pessoas, colocadas num sítio ermo e sem forma de escapar, sem mais nada ao pé de si sem ser um telemóvel onde recebem uma mensagem com as regras do jogo, e uma arma carregada com uma bala, porque a regra é um deles tem de morrer porque o outro tem de matar. E é aleatório quem dispara. Pois as pessoas são deixadas a passar fome e sede, no limiar da humilhação sem um sítio onde fazer as necessidades fisiológicas e quando se chega a esse extremo nunca se sabe quem se vai passar primeiro e virar o animal que se preocupa com a sua sobrevivência. E às vezes é inesperada a escolha. Claro que, quem sobrevive também nunca mais tem uma vida normal. É como se morresse também.

E depois as pistas, as dicas, os enganos que nos levam a acreditar que a história vai seguir um certo rumo para depois seguir outro, estarmos a achar que estamos a perceber certas partes e afinal não era nada daquilo, com um final a condizer onde a revelação da assassina ajuda a que tudo faça sentido mas também nos deixa de boca aberta, porque estamos sempre a pensar nas várias personagens que vamos conhecendo ao longo da história e depois não é bem por aí. Ainda que o final pudesse ter sido mais explorado, talvez propositadamente não é e ficamos ali a pensar no que realmente aconteceu. E ficamos a pensar que alterações vai sofrer Helen Grace nos próximos volumes.

E é por isso que queremos ir já a correr ler os outros volumes, para não perder a embalagem.

Gostei muito da escrita deste autor, é bastante fluída, apesar de ter bastante sustança em termos de conteúdo e capacidade para alternar entre as partes mais psicológicas e as partes mais gráficas.

É um livro perfeito para ser adaptado ao cinema, porque é de tal forma descritivo e intenso que parece que estamos a acompanhar um filme. Há partes em que parece que estamos a ouvir uma música de fundo nas partes mais brutais (é capaz de ajudar o autor trabalhar em televisão há muitos anos).

Não deixem de ler é o que tenho para vos dizer!