Dias frustrantes
Segunda-feira. Já todos sabemos que é aquele dia tramado, ainda mais depois de um fim-de-semana com muita tareia no lombo. Dia chuvoso, escuro e parvo. Chegada a Lisboa, está a começar a chover e eu lembro-me que o chapéu de chuva ficou bem quentinho guardado em casa. Primeira molha do dia (felizmente não era da grossa). Sair do escritório às 3 da tarde para tratar de coisas da vida, andar aos saltos daqui para ali, e sempre a chover (irra, mas não podia parar um bocadinho?). Já me estava a sentir meio cão molhado. Fim da tarde, dia de aulas. O Semi-Deus atrasa-se. Eu pergunto "mas ainda vale a pena lá ir?". Resposta "sim, assinamos o papel de presença". Saímos do carro. Desata a chover a sério. E nós com um chapéu de chuva para dois. Daquela chuva grossa, tocada a vento, que manda água em todas e de todas as direcções. Grande, grande molha, fosga-se! Chegámos à sala, não estava lá ninguém. E agora, mudaram de sala? Temos de ir perguntar não sei onde? E a chuva grossa não parava. Bom, caga nisso, vamos mas é embora, que por esta altura já nem dá para assinar o papel. Mais chuva. Chegámos a casa com tudo molhado (menos o cabelo). Eu até cuecas e soutien. As meias davam para torcer. Os ténis davam para torcer. Banho quente. Pijama. Pôr roupa a secar. De repente abrir a mala, e descobrir que, para além do casaco não ser impermeável, a mala também não era. Tudo molhado dentro da mala. Cartas importantes, facturas, recibos, documentos do carro que estavam dentro de uma carteira, desenhos dos putos. A sério, apeteceu-me chorar. Passar um bom bocado a secar papéis importantes com o secador de cabelo para os tentar salvar. O resto foi para o lixo.
Note to self: Curly Maria, precisas de um casaco para a chuva, uma mala impermeável, e calçado para a chuva também. E levar o chapéu de chuva de vez em quando.
Terça-feira. Era o dia da bendita consulta de Dermatologia no Hospital de Santa Maria. Consulta marcada para as 8h45. Ah e tal, mas tem de cá estar às 8h15 para confirmar a dita. Saí de casa com as galinhas, ficando a famelga ainda no choco. Apanhei trânsito (fosga-se, mas este pessoal não dorme? anda sempre na estrada?). Entrei no estacionamento do Hospital mesmo à hora. E agora, onde é aquilo? Não faço ideia. Pergunta-se. Chega-se lá. Tira senha. Atendimento. Mostre lá a carta. Ah, olhe, este Doutor acabou de ligar a avisar que está na cama. Pergunta esta: mas está na cama com quem? Ah e tal, está doente e ficou de cama. E agora? Agora tem de esperar nova carta com nova data. E vai demorar mais um ano? Abriu muito os olhos. Credo, não, isto vai ser rápido. Que conceito tão subjectivo. What a waste of my time. Voltar para o escritório. Perdi-me. Andei a fazer turismo não sei onde, em bairros giros e coloridos, à procura da rolha. Lá encontrei um ponto conhecido, já sei onde estou, siga. Não é lixada esta pontaria de estar um ano à espera de uma consulta e logo nesse dia o médico ter uma caganeira qualquer? É, pronto.
PS1 - Isto quando uma pessoa se perde e anda assim com ar de turista dentro do carro, a olhar para as coisas com ar aparvalhado, será que também dá direito a pagar a taxa de turismo?
PS2 - Depois de anos sem ir ao Santa Maria, voltei lá umas quantas vezes recentemente com os putos, mas apenas estive na Urgência Pediátrica. Ir à parte da Recepção Central e das Consultas Externas é outro filme. Aquilo continua tão grande e tão confuso, como me lembrava. Com um bocadinho de melhor aspecto, vá. Perdi-me lá dentro. Quando foi para sair já não sabia onde era. Medo! É, cheira-me que vou voltar a ter o sonho recorrente de infância, em que andava horas às voltas no Santa Maria e não conseguia sair de lá...









