Leitura terminada
Nada como um livro de Sophie Kinsella para nos animar, para nos fazer rir e bater o coração de uma forma mais descompassada. E para despachar um livro rapidamente, o que sempre nos faz sentir um bocadinho mais livrólicas...coff coff...
É mais um livro leve e divertido, imensamente romântico. Como de costume, as personagens principais de Kinsella são assim um bocadinho desbaratinadas da cabeça, o que as torna muito cómicas.
Mas, faço já aqui o reparo de que esta moça até tinha assim bastante cérebro. Pelo que me enervou um bocado a situação criada em que a Samantha, de repente, se viu embrulhada naquela cena de governanta e como não parecia ser capaz de sair da mesma. Mas enfim, ultrapassei esse enervamento e a partir daí gostei imenso. Talvez a partir do momento em que apareceu o Nathaniel, que achei muito sexy.
Adorei a cena do jogo de gato e rato lá no meio das framboesas, e mais não digo. Gostei de não andarem ali muito tempo às voltas com a coisa. Quase tive uma paragem cardíaca a dada altura, mas depois o meu coração voltou a bater.
Vá-se lá saber porquê, imaginei o Nathaniel assim um Josh Lucas, ou um Matthew McConaughey assim em bom. Quando acabei de ler o livro ontem já era tarde e depois tive uma magnífica insónia, que só me permitiu adormecer às 6 da manhã. Por coincidência, apanhei uma comédia romântica algures no canal Hollywood precisamente com o Josh Lucas. Giro, não é? Eu achei. Tirando a parte de não conseguir dormir. Hoje sinto-me um bocado destrambelhada. Mais do que nos outros dias. Adiante...
É um livro muito divertido nas partes em que a Samantha começa a tentar fazer determinadas coisas mas não é familiar com termos de colher de pau para cima, estão a ver? Luvas de borracha, o que é isso? Certas situações fizeram-me rir imenso, o que é sempre bom.
E estive muitas vezes ali no limbo do "Não, Samantha, não faças isso!" e "Pois, realmente, é a decisão mais racional e sensata", "Mas, mas, pá, não faças isso, a sério!".
Enfim, dá que pensar este livro sobre as exigências que as mulheres, e os homens também, têm no tocante às vidas profissionais. A correria, o stress, a competição, a ambição desmedida, a falta de tempo...o não olhar para o céu para ver as estrelas há vários anos. Porque é que as pessoas têm de ter sempre profissões de gabarito para serem reconhecidas, como se outras profissões não fossem igualmente importantes e dignas? Somos menores como pessoas se não formos advogados ou médicos?
Lembro-me de uma frase da Samantha, em que ela dizia algo como "não sou advogada, sou uma pessoa". E é um bocado por aí. Antes de qualquer profissão somos pessoas e não nos deviamos esquecer disso em prole de uma profissão.
Mas vale sempre a pena ler um livro de Kinsella e este não foi excepção. Recomendo a sua leitura a quem queira passar uma tarde ou duas enrolado no sofá, com a mantinha, a bebericar um chá, enquanto se diverte com estas peripécias.
PS - Ah, e desta vez voltei a desconfiar logo desde o início de uma certa personagem envolvida numa determinada situação, que não posso explicar aqui para não ser spoiler...estou esperta, ahn?

