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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Bom fim-de-semana!

Este tempo parece não ter melhoras. Será que vamos ter mais um fim-de-semana inteiro de chuva e nevoeiro? Se assim for, será perfeito para tentar colocar o sono em dia (que isto anda coiso), para ler, para beber chá e vegetar. Se melhorar, logo se vê.

 

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[E um Feliz Dia de S. Valentim no Domingo para quem gosta de o celebrar] 

 

Leitura que se segue

Como fiquei desiludida com o último livro que li de Dorothy Koomson, quero dar-lhe mais uma hipótese e decidi, portanto, pegar no outro livro dela que tinha na estante...

 

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...e porque também não resisto a livros com "chocolate" no título. Acho que podem ser sempre saborosos.

E porque acredito que o chocolate, ainda que não cure todos os males, é um fiel amigo de todas as horas (excepto quando precisamos mesmo dele e percebemos que não temos nem um quadradinho em casa, o que se torna muito grave).

 

Sinopse

Amber Salpone não queria sentir-se atraída pelo amigo Greg Walterson, mas não consegue evitar. E, de cada vez que a atracção se concretiza em algo mais, a aventura secreta fica mais perto de se tornar numa relação séria, o que, sendo ele um mulherengo e tendo ela fobia ao compromisso, constitui um grande problema.


Enquanto Amber luta para aceitar o que passou a sentir por Greg, apercebe-se também de que ela e Jen, a sua melhor amiga, estão cada vez mais afastadas. Pouco a pouco, à medida que as duras verdades das vidas de todos vão sendo reveladas, Amber tem de enfrentar o facto de o chocolate não curar tudo e, por vezes, fugir não é opção…

Leitura terminada

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Este livro foi revelador. 

 

Já vi muito episódio de série (principalmente em Mentes Criminosas) em que acompanhei histórias sobre estes gajos completamente obcecados e tarados, que nem perseguiam apenas uma mulher, mas várias. Só que ver um episódio e ler um livro com uma narrativa na primeira pessoa é bastante mais denso e perturbador. 

 

Nesta história acompanhamos a vida de Clarissa, numa altura em que já é perseguida pelo seu colega de trabalho Rafe (um nome horrível, que realmente não dava qualquer vontade de pronunciar ou de ler). E pensamos que andava apenas a ser seguida, mas afinal há algo mais. A narração alterna entre um discurso na primeira pessoa (Clarissa) e na terceira pessoa, em que outros pormenores são revelados, ainda que muito sobre a perspectiva de Clarissa. 

 

Clarissa agarra-se desesperadamente à possibilidade de ser jurada num julgamento, porque se sente protegida pelo menos enquanto se encontra dentro do Tribunal. Ou pensa que sim. 

 

Digamos que este livro me transportou para uma altura na minha vida em que também fui perseguida e ameaçada com algumas coisas. Em que me faziam esperas e me seguiam. Mas não era um estranho e a circunstância da perseguição não era este tipo de perseguição sexual, era comparativamente menos grave. Contudo, nunca me vou esquecer de como me senti invadida, sem privacidade, sem ser respeitada e como dei por mim a olhar por cima do ombro. Também fui à polícia e, claro, veio o discurso do "a rua é pública, a não ser que lhe faça mal não podemos fazer nada". E lembro-me do quanto isso me deixou perturbada. Pensarmos que é preciso alguém nos fazer realmente mal primeiro. Felizmente a coisa resolveu-se com o tempo e com algumas tentativas de marcar limites. 

 

Por isso, em certa medida consegui sentir bastante empatia com a Clarissa. Ainda que, em certos momentos, tivesse achado que ela devia ter pedido ajuda mais cedo, por exemplo na tal noite de Novembro (não quero ser spoiler). Mas também é compreensível a vergonha, o medo, a aflição. Especialmente quando percebe que a coisa não se vai ficar por uma mera perseguição, que a coisa pode acabar muito mal. Mas em certos momentos achei que uma boa joelhada nos coisos não tinha feito mal a ninguém. 

 

Gostei do destino dado ao Rafe e gostei da actuação do Detective, até certo ponto.

 

Não gostei do final. Fez-me sentir que autora é daquelas mulheres que, provavelmente, acha que todos os homens são maus. E, portanto, arruina completamente a nossa fé num potencial homem bom, que poderia ser a salvação de Clarissa. Nem tudo é mau no final, se calhar não era um livro que merecesse o happy end cor de rosa, para manter a onda mais dark, mas abalou a minha fé em que, no meio da chafurdice, ainda existem pessoas boas. 

 

Ainda assim, é um livro com uma escrita bastante envolvente. Tinha muita dificuldade em pousar o livro, queria sempre ler mais umas páginas. Porque apesar de algumas partes que podemos gostar mais ou menos, a autora é brilhante na forma como nos surpreende com certos pormenores.