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Bom, para início de conversa, quem decidiu comparar este livro aos livros de Zafón não estava bom da cabeça. É porque o cú não tem nada que ver com as calças.
Os livros de Zafón são uma coisa maravilhosa e acho que a única coisa que podem ter em comum é o facto de a história deste livro se passar em Barcelona, cenário de alguns dos livros de Zafón. E, pronto, também aqui percebemos que Barcelona no início do século passado, não era aquele local muito cosmopolita e da moda, vibrante e cheio de turistas como é nos dias de hoje. Era uma cidade negra, cheia de segredos, de horrores, de pobreza e de morte.
Posto isto, vamos lá parar já aqui as comparações com os livros de Zafón.
Ultrapassado este pormenor, podemos então focar-nos neste livro.
Este livro foi super assustador e perturbador de ler.
Li alguns comentários a este livro em que as pessoas diziam não ter gostado do livro, porque não é um bom thriller, já que se sabe à partida quem é a assassina.
Pois, meus amigos, isso é o problema de se partir para um livro sem ler bem a sinopse. Porque, lendo bem a sinopse, este livro conta a história verídica (que é a parte mais assustadora) de uma mulher absolutamente horripilante que raptava, vendia, e comia crianças. A única coisa que este livro pretende, creio eu, é transportar-nos para a época, contar-nos o que aconteceu e mostrar-nos quem foram as pessoas envolvidas na resolução destes crimes hediondos, em particular o Inspector Moisés Corvo (um nome curioso).
O livro poderia tornar-se uma absoluta seca se fosse apenas uma descrição documental da coisa. Mas é aqui que entra um factor decisivo: a escolha do narrador. O narrador é a própria Morte, o que torna o livro muito mais interessante.
Moisés Corvo, um polícia agastado com a vida que leva, com um casamento infeliz, com 2 filhos levados pela Morte, que recorre a prostitutas, é o único que parece realmente interessado em resolver o caso do "Vampiro" que anda a raptar crianças, que nunca mais são vistas, e sem deixar qualquer rasto, colocando a própria carreira e vida em risco. O sarcasmo de Corvo, as suas respostas prontas são o que dá algum alento aos momentos mais tenebrosos do livro, que é onde percebemos o que Enriqueta Martí fazia às crianças e porquê. E temos constantemente de nos lembrar que, apesar do narrador peculiar e do sarcasmo de Corvo, não estamos perante uma história ficcionada, e que esta mulher absolutamente horrível existiu mesmo e fez mesmo aquelas coisas, deixando um rasto de corpos enterrados para serem depois encontrados pela polícia, quando foi finalmente apanhada. E, apesar de não ser excessivamente gráfico, é-o suficientemente, para me ter deixado bastante nauseada em algumas partes.
É um livro muito crú, muito duro de ler, especialmente para alguém que é mãe, mas é um livro que acabou por me envolver, porque só queria chegar ao fim e ter a certeza de que aquela mulher ia ser apanhada (ainda que não saiba se teve o que mereceu). Como é que é possível que haja pessoas que vêm ao mundo para ser tão más, tão implacáveis e desprovidas de qualquer sensibilidade?
Também assustador é ver a fotografia da mulher má, que aparece no livro. Eu juro que se visse a mulher na rua, fugiria a sete pés. Que medo!!
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Em suma, é um livro que me deixou muita inquietação. Se calhar por pensar que continuam a existir por aí pessoas maquiavélicas, capazes dos maiores crimes, em particular contra crianças. E que dá vontade de nos fecharmos em casa e nunca mais deixarmos sair as nossas crianças à rua.