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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Nova leitura

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O primeiro volume da colecção As Mulheres do Islão.

 

Mais uma vez, a sinopse:

 

Pela primeira vez, um grande romance arrasta o leitor para a aventura extraordinária da terceira religião monoteísta.
O nascimento do Islão começa por ser a história de uma mulher, Khadija.
A primeira mulher do profeta, a mulher que o amava quando ele era apenas um jovem caravanista.
Durante toda a sua vida, Muhammad ibn ‘Abdallâh (Maomé), apoiou-se em três figuras eternas da feminilidade: a mãe, a guerreira e
a confidente.
Sem a inteligência e coragem destas «mães dos crentes», assim são referidas no Corão, jamais o seu legado espiritual teria chegado até nós.
Marek Halter homenageia o papel preponderante que as mulheres desempenharam na origem do Islão.

 

 

Se calhar vou dar um pulinho à Wikipédia para ler qualquer coisita antes sobre o Maomé...assim como quem não quer a coisa...

Leitura terminada

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Este livro andava perdido cá por casa há uns tempos e já me tinha esquecido dele.

Decidi pegar-lhe, para contrariar a tendência de ir lendo sempre primeiro os livros mais recentes e ir deixando para trás livros com mais tempo. É um bocado como a minha tendência de ler as revistas começando pelo fim...

 

Sobre este livro...

É um livro extremamente agradável de se ler. Um livro que nos transporta para outros países, para outras culturas e que, portanto, nos faz viajar.

O livro fala-nos de Keith Mabbut, um jornalista de meia-idade, dedicado nos últimos anos a escrever livros "ambientalistas", onde, no fundo, lhe pagavam para que as empresas (nada ambientalistas) ficassem sempre bem na figura. O que o desmotivava, já que o grande impulso da sua carreira foi precisamente uma peça jornalística que escreveu onde denunciava as ilegalidades ambientais levadas a cabo por uma empresa. Separado da mulher Krystina e com dois filhos já adultos, com os quais tem uma relação distante, consequência das longas viagens e ausências a que o seu trabalho o obriga, sente-se meio perdido e pensa que está na altura de se dedicar à escrita de um livro de ficção.

Contudo, é atirado pela sua editora para um livro encomendado sobre Hamish Melville, um herói de causas humanitárias. 

Sem perceber a pressão a que é sujeito para conseguir escrever este livro, especialmente por Hamish ser completamente fugidio a qualquer tentativa de contacto da imprensa ou de escritores, acaba por se ver na Índia, à procura de conseguir conhecer o homem sobre o qual precisa de escrever um livro. 

 

E não vos posso contar muito mais sobre a história, porque creio que tudo vira facilmente um spoiler.

 

Gostei da personagem Keith Mabbut, ainda que nos apareça como uma pessoa algo ingénua, que confia tanto nas pessoas que não se apercebe dos perigos que corre, nem de como as pessoas não são aquilo que parecem. Talvez fruto de ser um homem genuinamente bom que, apesar de ter aceite dinheiro para escrever algo em que não acreditava, acredita verdadeiramente que a vida de Melville era admirável, o que até fez renascer em si o idealista que foi em tempos. E também se vê essa ingenuidade na situação com o namorado da filha (uma questão que fica um pouco pendurada na história).

 

Este livro fala-nos sobre questões ambientais, um tema muito importante, e sobre a ganância das empresas. Mas, em suma, fala-nos de como o mundo é movido a dinheiro, quem tem dinheiro tem o poder, e quem tem dinheiro tem todas as influências e tudo corrompe.

 

Fala-nos também um pouco do mundo editorial e de como, também aqui, podem existir situações em que os livros não são exactamente verdade, porque a verdade é manipulada para ir ao encontro de interesses, quem sabe, até pessoais.

 

Fala-nos de como parece difícil existir realmente um herói de causas humanitárias, porque a verdade pode bem ser outra. Ainda que um dia as pessoas se queiram redimir e contar toda a verdade.

 

É um livro com muita energia, que nos agarra, não como um thriller, mas como uma história bem contada sobre o mundo dos negócios. E bastante bem escrito, mantendo-nos em suspense até ao final.

 

Gostei bastante e recomendo a sua leitura.

 

PS - Nem me tinha dado conta de que este livro tem a chancela da Editorial Bizâncio

Realmente têm sido muito ricos todos os livros que tenho lido da Bizâncio. Livros com uma grande profundidade, que abordam temas actuais, sérios, e com enredos bastante interessantes, com os quais aprendo bastante e que, portanto, me enriquecem!

 

Algumas citações:

 

"não há culturas superiores ou inferiores, há apenas culturas que satisfazem as necessidades dos seus membros de diferentes formas."

 

"- O negócio dos livros mudou, Keith. Um livro bom sobre gente boa não vende porque as pessoas não querem saber de gente boa. Ou, se querem, querem saber que lutaram para serem bons. Tiveram de se sacrificar pelos filhos ou de mandar matar alguém. Roubaram à mãe enquanto se transformavam em gente boa. A redenção justica imensa coisa"

 

"Qualquer pessoa, por mais admirável que pareça, é simplesmente humana. Atreita a todas as imperfeições, tentações e mentiras inerentes ao género humano."

 

"Os ambientalistas são particularmente atreitos a acharem-se donos da verdade, não lhe parece?"