Do fim-de-semana na planície alentejana e do cansaço neste dia de regresso às rotinas
Quase que o título sumariza tudo e ficava-me por aqui.Que a preguiça é muita. E o sono. E o cansaço. Nem sei bem de quê. Mas também não importa.
Esta sexta-feira rumámos ao Alentejo para um fim-de-semana na companhia dos meus pais, aproveitando para mudar de ares e gozar a festa anual lá da vila.
Esteve frio, especialmente à noite, mas para isso é que se inventaram gorros e cachecóis e casacos quentes. Deu para assistir a concertos, para passar tempo em família, para acompanhar a procissão e para ir ao arraial ontem, em que se passa um dia no campo, numa espécie de piquenique comunitário debaixo dos chaparros. Ainda que o tempo ontem tivesse estado tremido e tivéssemos passado o tempo meio encasacados e sempre a ver quando ia começar a chover. Mas lá se aguentou.
A grande surpresa deste ano a nível de concertos foi José Cid. Sim, podem vir gozar-me. Assisti a um concerto de José Cid e sobrevivi. Pior, gostei! Quando vi o nome do cartaz pensei "grande porcaria", mas fui na mesma e gostei muito. E se vissem o Marcos a abanar o capacete e a bater o pé! Muito dançou este pirralho ao som das músicas do homem! Mas gostei. Músicos excelentes, muito afinados e profissionais, e o homem já com uns 70 e tal anos deu uma abada a muito cantor mais novo que por aí anda. São muitos anos em cima de palco, mas também houve ali uma jovialidade que me impressionou. E fartei-me de cantar aquelas músicas mais antigas que povoaram a minha infância. Sim, que eu fartava-me de ouvir o LP de José Cid no gira-discos dos meus pais (credo, eu ainda sou do tempo do gira-discos!).
Hoje foi duro regressar à rotina, especialmente com a chuvada que caía de manhã e que tirava a vontade de sair da cama a qualquer um. Felizmente os putos estavam todos excitados para ir para a Escola. A Madalena farta-se de estar de férias porque quer é estar com os amigos e o Marcos estava numa excitação para ir para a escola porque tinha um brinquedo novo para mostrar aos amigos e um boné.
Lá no arraial no Alentejo comprei-lhe um boné novo, porque o que ele tinha estava super pequeno já. Delirou com aquilo. O sucesso que uma mãe faz com um boné do Faísca! Acho que por momentos fui a melhor mãe do mundo. De tal modo que o rapaz ontem não queria tirar o boné por nada, nem para jantar, nem para dormir, e hoje de manhã a única fita foi a mãe dizer que não podia ir de boné, porque estava um frio do catano e a chover e ele precisava era do gorro. Hoje assim que chegou a casa quis logo colocar o boné. Porque está imenso sol em casa e ele precisa. Bom, na verdade ele diz que é para o estilo.
PS1 - Levei comigo para o Alentejo o livro que ando a ler e os exercícios de Matemática para fazer. Consegui ler 2 páginas do livro, o que foi um enorme avanço e não fiz um boi de Matemática. Um sucesso, portanto!
PS2 - Mais uma vez este ano fui à procissão de Sábado à tarde lá na terra dos meus pais. Porque, enfim, aquilo é uma festa de cariz religioso. O Semi-Deus goza-me sempre um bocado por ir participar naquilo, porque não é nada religioso e não percebe lá muito quem o é. E porque estranha, já que não me vê regularmente participar em nada de missas e procissões e o coiso em mais lado nenhum, provavelmente.
Dei por mim, desta vez, a fazer todo o percurso da procissão, enquanto a banda tocava o "Nossa Senhora das Pazes", em introspeção a pensar porque raio é que de facto vou aquela procissão, quando não me sinto lá muito católica na maioria das vezes, não vou a missas, nem participo em nada muito religioso. Acho que perdi muita fé com algum contacto que tive com alguns padres (nomeadamente o padre que estava anteriormente na terra dos meus pais) e com coisas que aconteceram, como a perda de membros da família com 7 anos de idade e outras coisas horríveis que se passam no mundo e dentro da própria Igreja, o que me fez pensar que Deus será muito cruel e por isso não o quero seguir.
Mas quando chego à terra dos meus pais, não me importo de acompanhar a procissão. Creio que o faço pela minha mãe, que gosta daquilo, tem um bocado de fé e eu acompanho-a e faço-lhe esse gosto. Um bocado como o meu pai também não ser nada religioso, mas se aperaltar de fato e gravata para ir acompanhar a procissão de longe. Por respeito pelos outros, creio, e por amor à sua terra. E creio que o faço pela minha avó, que era muito religiosa, tinha muita fé, mas não participava lá muito nos eventos religiosos por questões de saúde. A minha avó tinha uma perna mais curta que a outra, coxeava muito e tinha muitas dores, e então nunca ia na procissão, porque lhe custava muito a andar, mais ainda à medida que ia ficando mais velhota. Mas ficava à porta a ver passar, com lágrimas nos olhos com pena de não ir, rezando à Nossa Senhora, em quem tinha tanta fé. E já que não podia ir, queria que fossemos por ela.
Enfim, quando dei por mim estava a procissão a passar na rua da minha avó e eu estava com lágrimas nos olhos porque a "vi" à porta a acenar à Nossa Senhora e tive saudades dela. E pedi-lhe mentalmente desculpa por todas as vezes em que me pediu para ir à procissão e eu, miúda adolescente e parva, tinha mais que fazer e me borrifava. Portanto, agora sempre que posso vou, por ela e pela minha mãe. E é isto. Não o faço por mim. Mas sinto-me bem a fazê-lo por outras pessoas importantes para mim.
PS3 - Hoje dói-me a cabeça, a garganta, os ouvidos e as costas e o rabo, porque para ajudar ontem dei uma queda numas escadas e bati com rabo e as costas nos degraus. Já não caía de umas escadas há algum tempo. Já me andava a admirar, realmente! Felizmente que tinha um casaco grosso vestido, o que amorteceu um bocado a coisa, mas depois de arrefecer fiquei dorida. Portanto, parece que levei uma tareia, só me apetece dormir e este tempo maravilhoso de Primavera dá cabo do espírito de uma pessoa.

