![1507-1.jpg 1507-1.jpg]()
Um livro que levei para um fim-de-semana no Alentejo (para matar saudades das crianças, mudar de ares e vegetar) e que consegui acabar mesmo na altura certa – virar a última página na altura de fazer a mala e tomar um duche antes de vestir e voltar para Lisboa.
Mesmo aquilo que estava a precisar! Uma leitura leve e divertida, com um toque romântico, porque com a caloraça que uma pessoa apanha no Alentejo, não dá para pensar muito.
Este livro agarrou-me logo nas primeiras páginas, em que me ri a bom rir com algumas partes. A saber:
“O anúncio do The Courier dizia “Oportunidade a tempo inteiro para Agente de Segurança Informática. 40 mil dólares + seguro de saúde e dentário”.
Agente de segurança informática. Lincoln imaginara-se a construir firewalls e a proteger o jornal de hackers perigosos – e não a enviar memorandos sempre que alguém da Contabilidade reencaminhava uma piada de mau gosto à pessoa do cubículo ao lado.
O The Courier fora, provavelmente, o último jornal da América a permitir acesso à Internet aos seus repórteres. (...)
Toda aquela coisa do online acontecia contra a vontade da direcção, dissera Greg. Para o dono do jornal, dar acesso à Internet aos empregados era equivalente a dar-lhes a opção de trabalhar, se lhes apetecesse, ou de ver pornografia, se não apetecesse. (...)
Quando Lincoln começara a trabalhar no The Courier, a experiência da Internet ia no seu terceiro mês. Nessa altura todos os funcionários tinham e-mail interno. Funcionários-chave e quase toda a gente das secções noticiosas tinham algum acesso à World Wide Web.
Se se perguntasse ao Greg [Director de TI], estava tudo a correr muito bem.
Se se perguntasse a alguém na administração, era o caos.
As pessoas faziam compras e coscuvilhavam; participavam em fóruns online e na Liga Fantástica. Havia quem jogasse a dinheiro. E também havia algumas porcarias. (...)
O pior da Internet, na opinião dos superiores de Greg, era ser agora impossível distinguir uma sala cheia de pessoas a trabalhar diligentemente, de uma sala cheia de pessoas a responderem ao teste de personalidade “Que Raça de Cão És Tu?” “
Depois de ler isto e de perceber a estrutura do livro – capítulos com as trocas de emails entre Beth e Jennifer e capítulos com a perspectiva de Lincoln – já não consegui parar.
É que estas descrições fizeram-me viajar até à época em que comecei a trabalhar num certo sítio em 2001 e apenas umas 5 pessoas tinham email, porque era assim uma coisa muito selecta e, claro, não havia acesso à Internet. E até conseguirmos ter email e Internet foi quase preciso um requerimento com selo Papal e mesmo depois de termos havia sempre bocas deste género, porque era este o mindset.
De referir que a história se desenrola entre 1999 e 2000, pelo que, para lá das questões abordadas sobre amor, namoro, gravidez, amizade, contactos virtuais, também nos permite recordar questões engraçadas como a da passagem do Milénio, com toda aquela conversa de que o Mundo ia acabar porque os computadores se iam passar da marmita.
As duas personagens femininas eram engraçadas e dava gozo ler os seus emails. Uma pessoa pensa no tempo que passa a enviar emails com bardajices e parvoíces para ajudar a passar o tempo no trabalho.
O Lincoln ao início parecia um grande freak/geek/nerd, sem muito conteúdo, mas foi uma personagem que aos poucos me foi agradando. Principalmente à medida que foi revelando mais sobre os seus sentimentos por Beth e que foi mudando a perspectiva de ser um rapaz sem graça nenhuma para ser um rapaz bastante jeitoso e interessante. Ainda que me fizesse alguma confusão a cena de um rapaz daquela idade viver com a mãe e não ter uma relação desde o início da Universidade.
Não foi um livro surpreendente em termos do final, ou pelo menos teve o final que eu gostaria que tivesse, foi de encontro às minhas expectativas. Mas gostei do rumo da história, gostei da escrita leve e descontraída e gostei desta perspectiva de um romance começar de uma forma completamente diferente.
“ – Acreditas no amor à primeira vista?
(...)
- Não sei (...) - Acreditas no amor antes disso?”
Mas gostei principalmente de me identificar um pouco com o ambiente de trabalho que vivemos em que não resistimos a enviar um email de cariz mais pessoal, em que se trocam uns galhardetes, e a consultar uma página web de cariz não profissional (tipo umas lojas online, notícias, etc).
E, claro, agora sempre que enviarmos um email, vamos estar a pensar no senhor do TI encarregue da Segurança Informática que se diverte a ler o conteúdo dos emails dos colaboradores, verdade?
Obrigada, Saída de Emergência por esta oportunidade e por me permitirem ler mais um livro de Rainbow Rowell!
![SdE SdE]()