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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Evoluções

Quando a Madalena nasceu, os protocolos hospitalares em relação a recém-nascidos e ao puerpério eram:

 

- Banho só depois de cair o cordão umbilical; até lá era dar uns banhos à gato, com umas esponjas próprias ou toalhitas. Já a Madalena tinha quase duas semanas quando finalmente consegui deixar-lhe o cabelo limpo, sem restos do parto;

-  Dar de mamar tinha de ser de três em três horas; se o bebé não tivesse acordado, tinhamos de o acordar (o que o deixava sempre muito contente) e deixar passar cinco minutos da hora dava direito ao sermão sobre mães burras negligentes;

- Obrigatório esterilizar chuchas, biberões e tetinas;

- Entregar à mãe uma lista infindável de alimentos proibidos ou limitados durante o período de amamentação;

- Pílula da amamentação começar a tomar só um mês depois do parto e retomar a vida sexual só um mês e meio depois.

 

 

O Marcos nasceu por altura de recomendações fresquinhas da Organização Mundial de Saúde:

 

- Banho logo no dia a seguir ao nascimento, com cordão umbilical e tudo; chegaram à conclusão que o banho não tem impacto e só ajuda ao bebé a sentir-se melhor por ficar mais lavadinho;

- Regime de amamentação livre. Em momento algum me entraram pelo quarto dentro a perguntar a que horas tinha mamado e quanto tempo, de modo a controlar quanto tempo tinha passado. Apenas me perguntavam de vez em quando se ele mamava bem, do mesmo modo como perguntavam se ele fazia bem as necessidades fisiológicas. Mas não queriam saber quantas vezes e a que horas mamava.

- Não se devem esterilizar chuchas, biberões e tetinas. Chegaram à conclusão que basta passá-los por água quente da torneira durante uns minutos. Esterilizar impede as crianças de ganharem as suas defesas.

- Não há cá lista de alimentos proibidos ou limitados durante a amamentação. Apenas há uma regra: usar o bom senso. Pode comer-se de tudo, mas com moderação (o que se recomenda para qualquer pessoa "normal"). Apenas o alerta de durante o primeiro mês do bebé evitar comer marisco, morangos, kiwis e laranjas, por haver maiores probabilidades de alergias ou intoxicações e pelo facto de ainda ser tudo muito imaturo no bebé. De resto, obviamente evitar alcóol. Café, chocolate ou outros doces, com certeza, mas a tomá-los fazê-lo logo a seguir a dar de mamar, de modo ao organismo processar  os alimentos até à próxima hora de comer do bebé;

- Começar a pílula da amamentação ao fim de quinze dias e retomar a vida sexual quando a mãe se sentir preparada para tal.

 

Confesso que já quando a Madalena nasceu, fiz muitas coisas de acordo com as novas recomendações da OMS, com excepção do banho antes de cair o cordão umbilical. Enquanto estivémos na maternidade, que remédio tinha eu senão dar-lhe de mamar de acordo com o relógio da parede, antes que entrasse o general de bata branca a refilar. Em casa, a coisa primava pelo regime livre também e acho que não correu mal.

Acho que estas novas indicações fazem mais sentido. Há que ter cuidados, com certeza, mas não é preciso cair em extremismos. Encarar as coisas de forma mais natural parece-me mais correcto. A existência de certas restrições e pressões acaba por não ser nada produtivo e só ajuda a ter mamãs e bebés ansiosos, o que se dispensa.

2 comentários

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    Curly 22.04.2012

    Pois, imagino que algumas recomendações não sejam deste ano. Pelo que percebi na Maternidade e no Centro de Saúde as recentes são a da esterilização e a da lista de alimentos proibidos para a mãe durante a amamentação.
    Eu notei foi logo diferenças em termos de postura na Maternidade. Quando tive a Madalena em 2004, e no Hospital de V. F. Xira, eram muito, muito chatos com certas coisas, especialmente a amamentação. E também não queriam os bebés na cama connosco. Se entrassem lá e os tivessemos na cama, pegavam neles e punham no berço. Agora no Hospital de Loures eram muito pró-natural, tinham as naturais preocupações mas era tudo sem pressões e deixavam as coisas ao meu critério. Se o tinha na cama tinha, se o tinha no berço tinha. E a amamentação, queriam era saber se ele pegava bem na mama e se mostrava satisfeito, mas não entravam ali de 3 em 3 horas a mandar dar de mamar. :):)
    Obviamente que deve prevalecer o bom senso, e isso surge melhor se não tivermos pressões e nos deixarem pensar e intuir.
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