Ser mãe é...
...ter a cria pequena com as unhas de um pé cortadas e as do outro pé por cortar.
Há que compreender, para lhe cortar as unhas de um pé, a berraria foi tal que fiquei com medo que me batesse a Polícia, a Segurança Social ou, pior, um vizinho à porta. Juro, quem ouvir pensa que estou a matar o puto! E fiquei toda transpirada do esforço. E nem sei como a coisa se limitou à unha e não a um bife, porque às tantas nem sei o que estou a cortar, tal é o micro-cagagésimo de segundo que tenho para afiar o corta-unhas. Depois o Semi-Deus acha que eu estou a torturar a criança e pede-me para o deixar descansar, coitadinho, que depois tentamos mais tarde (e nem me oferece uma toalha felpuda para limpar a cara e os sovacos - cansadinha estou eu!). E as unhas continuam por cortar, porque qualquer tentativa de lhe agarrar o pé para endereçar tão árdua tarefa resulta num abrir de goela fenomenal e em pinotes dignos de um ser equídeo. Tenho de continuar arduamente a ganhar músculo no ginásio, para conseguir agarrar o puto. E comprar tampões para os ouvidos, é capaz de ajudar. Ou juntar um pouco de Atarax ou Xanax na sopita (isto é capaz de resultar em visitinhas das autoridades também, pensando melhor). Ou deixá-lo andar com as unhas tão compridas que me arranha o soalho. Ou esperar que cresça e que consiga cortar-lhe as unhas dos pés lá para os 5 anos, com sorte. E até lá comprar-lhe exclusivamente chinelos e sandálias abertos à frente.
Isto há dias em que ser mãe tem que se lhe diga!