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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Seguradora precisa-se!

Às vezes pergunto-me sobre qual será a seguradora que cobre os riscos da nova profissão coqueluche: os distribuidores de jornais gratuitos em Lisboa!


 


Já são tantos os gratuitos que talvez nem me recorde de todos. O Destak foi o pioneiro. Era distribuído em zonas de acesso a comboios. Rapidamente, outros carris seguiram o mesmo trilho e começa a estar disponível também nas estações do Metropolitano. Talvez por isto o jornal que se seguiu foi o Metro. Agora os últimos que me lembro são o Meia Hora e o Global.


 


Até tem a sua piada isto do jornal gratuito. A taxa de pessoal que surgia nas estatísticas como não lendo nem uma palavra por mês desceu, porque eis que de repente toda a gente e o seu cão passou a andar de jornal em riste logo de manha para abrir a pestana.


 


Contudo, acho que não seria necessário tanto jornal gratuito diferente acessível nos mesmos locais, porque se abrirmos um e outro aquilo é practicamente copy/paste.


 


Só que agora deixaram de ser jornais acessíveis em expositores colocados em certos pontos de passagem de multidões matutinas, para quem quisesse levar. Além de serem gratuitos agora trazem em anexo um(a) qualquer brasileiro(a) envergando a t-shirt, boné e alguns avental com o nome do respectivo jornal. E deixámos de ter de nos deslocar até ao expositor com o jornal, agora o jornal vem até nós. Já dizia o outro, se Maomé não vai à montanha…


Mas, o pior mesmo é a forma como chegam até nós, que é no mínimo abrupta e invasiva!


Deve ser em Portugal o paralelo ao que vemos nos filmes americanos em que o jovem ardina em cima da sua bicla atira o jornal para a porta das habitações, mas há sempre alguém que vai a sair de casa na hora errada e leva com ele na tola. Agora já não temos tempo para aproveitar os engarrafamentos para tratarmos de assuntos de beleza, negócios, cantar ou simplesmente colocar o coto de fora e saudar os jovens bem parecidos com um “Oh, grosso! Isso é tudo teu?”.


 


Actualmente, assim que chegamos ao centro de Lisboa e paramos no primeiro semáforo bem que temos de fechar as janelas à pressa e prepararmo-nos para dizer várias vezes graciosamente “Não, obrigada!”.


 


Aquilo é ver os novos ardinas, mal o sinal passa verde tinto a saltar dos passeios para a frente dos carros numa corrida para ver quem consegue dar mais. Como são vários os jornais também são vários os brasucas em saltos mortais por cima dos capôts e em loopings para acertar na melhor janela. Estão tão embrenhados nestas entusiasmantes funções que, quando o sinal passa a verde raramente conseguimos avançar logo porque primeiro temos de aguardar que estas lapas desgrudem das nossas pinturas metalizadas. Ora bem, com a quantidade de zonas em Lisboa que estão em obras ainda temos de contar como tempo que temos de despender dada esta pressão para deixarmos de ser um país de iletrados!


 


Cada vez saio mais cedo de casa e continuo a chegar sempre atrasada! Das duas uma, ou encontram uma nova forma de distribuir literatura ou, porque percebo que estas pessoas também precisam de se alimentar, deviam parar todas as obras em curso, com data a anunciar.


 


Apesar deste incómodo pessoal, o que me faz também muita confusão é o perigo que estas pessoas correm! Isto porque há muita gente de acelerador fácil e que não tem muita paciência e avança tenha alguém à frente ou não. E depois lá está, se acontecer alguma coisa a um brasuca, é mais tempo que temos de esperar!


 


Já agora era bom que a ultima tarefa do dia dos novos ardinas fosse limpar a lixeirada que fique no meio das ruas. Sim, porque há muita gente que aceita desesperadamente todos os jornais para ler as “gordas” e a seguir largar no chão!