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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

A democracia parece viver tempos estranhos

António Costa decidiu avançar com uma indicação da sua disponibilidade para líder do Partido Socialista. Lá terá os seus motivos. Ui, parece que caiu o Carmo e a Trindade. Porque é traição, porque coitadinho do António José Seguro que não merecia tal afronta. Porque isto é uma mostra de destabilização.

 

Bom, a meu ver isto é a democracia a funcionar. A qualquer momento, um membro de um partido pode candidatar-se à liderança do partido. Quantas vezes não aconteceu já? Momentos em que num partido o líder se mostra mais enfraquecido ou desgastado e vem outro e toma o lugar. É democracia, é rotatividade e os partidos precisam disto, especialmente se querem ganhar eleições e mandar abaixo um Governo instalado. Sim, todos querem a cadeira do poder. Contudo, em democracia a cadeira do poder não dura (nem deve durar) para sempre. Ninguém se senta num lugar para sempre. Neste momento, tenho visões de António José Seguro barricado no Largo do Rato, a dizer "daqui não saio, daqui ninguém me tira".

 

Pessoalmente, se por um lado acho que os políticos são todos iguais e muitas vezes as mudanças não significam necessariamente melhorias, por outro acho que a mudança faz bem. Ainda por cima quando António José Seguro me parece ser um líder que já nasceu cansado. Não entrou em desgaste ao fim de uns tempos. Não, já entrou quase desgastado, porque nunca foi uma figura de força, de estaleca. António Costa terá certamente os seus defeitos, contudo, acho que fará um líder muito faz forte do que alguma vez foi Seguro. Apesar do apelido, seguro, foi algo que nunca me pareceu ser. E este Governo precisa de uma alternativa segura e forte.

 

A Passos Coelho não deve agradar muito a candidatura de António Costa. Deve ser-lhe bem mais fácil "lutar" contra alguém menos assertivo, menos forte, mais fácil de espezinhar. Assim ter de se confrontar com uma personalidade mais forte, deve ser algo que não lhe apetece. Mas é a vida.

 

Eu acho que a alternativa forte é necessária ao País, que se vê entalado entre um Governo de coligação de direita e a sensação de sufoco por falta de alternativa. Poucos imaginarão Seguro como Primeiro-Ministro. Se calhar alguns já conseguem imaginar António Costa como Primeiro-Ministro. Bom ou mau, ninguém o sabe. Também achavam que Passos Coelho ia ser a maior das maravilhas a seguir ao pão fatiado e foi o que se viu.

 

Acho que fica mal a Seguro dar esta imagem de não querer largar o poleiro, do ai coitadinho de mim que me estão a atacar e preciso de muitos amigos para me defender. Só vem mostrar o quanto é necessária a candidatura de Costa (ou alguém similar) para a liderança do partido.

 

Mas isto sou eu, que não percebo nada de política.