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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Leitura Terminada

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Já não me lembro quando é que este livro me chamou a atenção. E não me recordo se na altura foi a capa, se foi a sinopse, se foi um misto.

A capa é de uma simplicidade tremenda, com cores suaves, mas que consegue ser altamente chamativa. E é uma capa que reflecte bem o conteúdo do livro, pelas dicotomias que vamos encontrando.

Uma das coisas que mais gostei neste livro foi o facto de se passar num país sobre o qual acho que nunca tinha lido uma história. A história decorre em Bogotá, na Colômbia e, por vezes, só a mudança de cenário é uma lufada de ar fresco e traz uma motivação extra para um livro. Para variar das histórias em Inglaterra, nos EUA , em Paris ou nos países nórdicos.

Sei pouco sobre a vida na América Latina, ainda que sempre tenha tido aquela ideia de serem países altamente corruptos, confusos, pobres, com muita criminalidade e prostituição. Obviamente que há-de ser mais para além disto, nem tudo há-de ser mau naqueles países, nem todas as pessoas serão criminosas ou prostitutas. Mas tinha a ideia de ser este o cenário maioritário.

Este livro chamou-me a atenção por se apresentar como uma história onde ocorre um crime. E uma pessoa, sedenta que anda sempre de thrillers e policiais, vai de ler.

Mas o curioso deste livro é que a parte do crime é apenas um mote para uma brilhante crítica social que a autora pretende fazer daquele país.

Karen, uma funcionária da Casa da Beleza, um centro de estética onde vão pessoas endinheiradas, acaba por ser o retrato de como num ápice a vida pode mudar e uma pessoa se pode transformar de alguém inocente e com boas intenções numa pessoa gananciosa e corrompida por uma sociedade suja e criminosa. Ainda que no fim tenha sofrido como uma vítima inocente.

A autora, através de Karen, também faz um retrato engraçado sobre este mundo das aparências onde é esperado que uma mulher tenha um determinado aspecto e gaste o que tem e o que não tem para o conseguir. Para no fim ser maltratada pelos homens a quem querem agradar e por uma sociedade que não as protege.

O livro lê-se bem e rápido, os capítulos são curtos e a escrita, apesar de tudo, é leve (ainda que existam alguns momentos em que a autora se lança em parágrafos enormes). Só que acompanha-se muito bem.

A parte do crime quase que fica para segundo plano. Às tantas já nem queremos bem saber o que aconteceu afinal a Sabrina, queremos é saber o que vai acontecer a Karen e como Claire, a psicóloga que é a narradora do livro (uma cliente de Karen que depois se torna sua confessora), a vai poder ou não ajudar.

É, sem dúvida, um livro diferente. Não tendo sido o meu livro favorito (dei-lhe 3 estrelas no Goodreads, mais por pensar nele em comparação com livros melhores que já li), valeu a pena ler este retrato social, cheio de crítica e desprovido de esperança.

 

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