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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Leitura Terminada

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Guardei este livro durante muito tempo na estante. Vergonhosamente tempo demais, considerando que me foi emprestado.

Andava a fugir muito de calhamaços. Acho que abri uma excepção algures no tempo para um livro da Lesley Pearse ou algo assim, porque já sei que são leituras muito rápidas apesar das páginas. Mas, para além das páginas, o tamanho da letra andava a ser factor de ponderação. E então, peguei neste várias vezes, abri, vi o tamanho da letra, voltei a fechar e a meter na estante.

Cheguei a dizer à minha amiga que iria devolver-lhe o livro, mesmo não o tendo lido, porque já o tinha há demasiado tempo. Mas acabou por ficar e finalmente ganhei coragem. E ainda bem!

Já tinha mesmo saudades do John Corey! Deste sarcasmo, da argúcia, da inteligência. Mas sobretudo do sarcasmo. O que me ri com algumas tiradas do John, pá! É um prato ele!

Bom, já com menos piada é o tema central deste livro. Que nos remete muito para o 9/11, para os atentados terroristas.

Nesta luta entre Corey e Asad Khalil, com o envolvimento de muitas forças de segurança dos EUA que fazem parte da Brigada Antiterrorista, é difícil conseguir pousar este livro.

Muito bem construído, pleno de enquadramento histórico e político, que nos ajuda a perceber as motivações do terrorista, é um livro excitante do início ao fim.

É bastante assustador pensar no mundo que se vive hoje em dia em que não se sabe de onde e quando virá um próximo ataque terrorista. E pensar nestas teias, nestes apoios que chegam a estes terroristas, que lhes permitem fazer o que fazem.

E também é bastante assustador pensar nas guerras, nos desentendimentos entre as várias forças de segurança, porque têm abordagens diferentes, porque têm objectivos diferentes, porque todos querem mijar nos cantos e ficar com os louros quando corre bem e todos procuram empurrar a merda para cima dos outros quando corre mal. Porque no processo, há danos pessoais, há vidas que se perdem, por vezes num número elevado. E no meio da confusão, escapa-se um terrorista e depois logo se vê, estamos cá quando ele voltar. E há muitos jogos. Há o jogo do terrorista e há jogos perigosos que se jogam com o terrorismo. Depois quando corre mal chama-lhe danos colaterais...

Enfim, chega a ser incrível como o autor pareceu “prever” alguns momentos do 9/11. O próprio autor explica isso nas notas introdutórias. O livro foi escrito algures entre 1999/2000 e o autor foi muitas vezes contactado depois do 9/11 devido a este livro. Como diz o autor, os sinais estavam todos lá, só não viu quem não quis.

O terrorismo é uma guerra muito antiga, e um atentado terrorista pode ser preparado durante anos e remeter para um episódio qualquer que já ninguém se lembra ou que achou que era insignificante. Só que há culturas que esperam o tempo que for preciso para ter a sua vingança e punir quem acham que tem de ser punido. Sejam vinganças pessoais ou nacionais.

Mas é um excelente livro, uma leitura que vale bem a pena.

Dei-lhe 4 estrelas no Goodreads porque senti ali alguns pontos na vida pessoal de John Corey um bocado encaixados à pressa. E porque a situação com o terrorista no final não me deu o closure que estava a precisar.