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Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Leitura Terminada

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SINOPSE

O corpo de um homem espancado até à morte é encontrado numa praia deserta. O cadáver pertence a um escritor, presente na cidade para assistir à antestreia da adaptação cinematográfica do seu livro mais famoso. Na mesma noite, um jovem confessa o homicídio, mas é nesse momento que uma questão se coloca: por que motivo as provas recolhidas apontam para que esteja inocente? O mistério adensa-se quando a noiva da vítima, uma colecionadora de arte com os seus próprios planos, decide vir a público. Ela tem algo a dizer, mas poderá estar implicada?

Depois do sucesso de O Cardeal, Nuno Nepomuceno regressa e apresenta finalmente o muito aguardado desfecho da série Afonso Catalão. Entre Cambridge, Amesterdão e Veneza, inspirado pela morte do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, construído segundo os cinco elementos de um filme, A Noiva Judia é um thriller psicológico inteligente, sedutor e ousado, de leitura voraz, que só conseguirá pousar quando chegar à última página.

 

Obrigada Nuno, por me teres feito passear de novo em Veneza! Se bem que fiquei com muita vontade de lá voltar mesmo e de ir explorar com mais tempo alguns pontos que não consegui apreciar quando lá estive :)

Este livro vem concluir, para já, a saga Afonso Catalão, iniciada com A Célula Adormecida (que continua para mim a ser o melhor livro de Nuno Nepomuceno). Depois desse livro, o Pecados Santos foi maravilhoso também! Entretanto, achei que o livro A Última Ceia foi comparativamente inferior, tendo recuperado algum fôlego com A Morte do Papa. O livro anterior, O Cardeal foi bom, mas também achei inferior, e agora este volume fez-me perceber que realmente algumas coisas que achei mal explicadas no livro anterior, algumas pontas soltas, se atam agora neste último volume.

Nuno Nepomuceno já nos habituou a uma escrita viciante e fluída, mas construindo bem os arcos narrativos e criando aquele ritmo frenético que nos leva a uma leitura muito rápida. Sem perder a classe e aquele humor fofo que está sempre presente nos seus livros.

Mantém-se a estrutura dos capítulos curtos, com uma boa identificação de espaço e tempo, o que ajuda a criar aquele ambiente quase cinematográfico.

E creio que o Nuno conseguiu realmente resolver bem o puzzle que foi construindo nos livros anteriores, sem meter os pés pelas mãos, o que é de louvar, porque aquilo foi dando muitas voltas. E consegue também trazer-nos muitos elementos surpreendentes, de uma forma muito inteligente.

É um facto que continuo a preferir a Diana ao Afonso (acho-a na verdade muito mais ágil mentalmente do que ele) e que definitivamente não me consigo ligar à Sofia, mas isso deve ser um problema meu, o não me identificar com a sua personalidade, ainda que lhe reconheça a argúcia e inteligência.

Sinto que o Nuno fez bem em decidir esta pausa que nos anunciou na apresentação do livro. É importante deixar a veia criativa funcionar e para isso, por vezes, é preciso dar-lhe tempo e espaço, tirar a pressão de cima de uma mente brilhante, porque esse excesso de pressão no final acaba por prejudicar a qualidade da escrita do autor, o que é uma pena, porque queremos ler sempre o melhor dele.

Quando ele decidir voltar, cá estaremos para o continuar a ler. Porque o moço é uma joia de moço e o seu clube de fãs certamente que o vai continuar a acompanhar.

Dei a este livro 4 estrelas, porque apesar de bom, não foi uma bomba como A Célula Adormecida ou Pecados Santos.

 

PS – Na apresentação do livro, o Nuno disse uma coisa em público que me fez corar até à raiz dos cabelos. Não tinha ideia que tinha tido influência no rumo que ele escolheu para A Morte do Papa. Mas fiquei, pronto, com aquela vergonha feliz! :) Obrigada!