Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Curly aos Bocadinhos

Curly aos Bocadinhos

Leitura Terminada – A Última Ceia, Nuno Nepomuceno

48923812_810800502591246_2411185513168896000_n.jpg

Sinopse

Uma nota enigmática é encontrada junto a lascas de tinta e tela, e à moldura vazia de um quadro famoso. O ladrão deixou um recado. Promete repetir a façanha dentro de um ano. De visita à igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão, uma jovem mulher apaixona-se por um carismático milionário. Mas quando alguns meses depois é abordada por um antigo professor, Sofia é colocada inesperadamente perante um dilema. Deverá denunciar o homem com quem vai casar-se, ou permitir tornar-se cúmplice deste ladrão de arte irresistível?

Enquanto a intimidade entre o casal aumenta, um jogo de morte, do gato e do rato, começa. E aquilo que ao início aparentava ser um conto de fadas, transforma-se rapidamente num pesadelo, enquanto um plano ousado e meticuloso é urdido para roubar a obra-prima de Leonardo da Vinci. Requintado, intimista, inspirado em acontecimentos verídicos, A Última Ceia transporta-nos até ao elitista mundo da arte. Passado entre Londres e Milão, habitado por uma coleção extraordinária de personagens, para as quais a ambição e fama sobrepõem-se a qualquer outro valor, este é um thriller sofisticado de leitura compulsiva. Uma viagem surpreendente ao centro de uma teia de intrigas, romances e traições.

 

Este livro parte de uma premissa muito boa, com potencial para um grande enredo. É um thriller elegante, que se lê bastante rápido, por ter capítulos curtos. É uma história que nos faz viajar entre Portugal, Londres e Milão, o que obriga a alguma concentração, para não nos perdermos no tempo e no espaço. É uma história sobre roubo de arte embrulhada numa bela teia de intriga e traições. Que também remete para questões como canibalismo, homossexualidade e eutanásia, bem como alguns podres sobre homens da Igreja. Contudo, a parte do cilício e das chicotadas auto-infligidas era algo que já tinha visto n’O Código da Vinci.

Também voltamos a encontrar o professor Afonso Catalão, personagem pela qual continuo a não nutrir de grande empatia, mas neste volume vamos percebendo um pouco mais sobre a infância e vida familiar de Afonso através de pequenos fragmentos registados pelo próprio enquanto criança, o que nos ajuda a entender um pouco melhor a sua personalidade meio sinistra.

Não consegui criar grande empatia com a Sofia Conti, ex-aluna do professor Afonso, ainda que no final se tenha safado bem.

Infelizmente (e digo infelizmente porque gosto muito do Nuno e gostei de todos os livros dele e se nota que este livro é escrito pelo Nuno, algo que não se confunde pela forma de escrever, pelas pitadas de ironia, pelas subtilezas), apesar de ter gostado do livro e da história, foi um livro que ficou bastante aquém das minhas expectativas. O que me deixou triste, confesso.

Mas senti que, de tanto querer fazer da história um thriller sofisticado, faltou garra, faltou correria, faltou sangue, faltou-me muito mais emoção na forma de contar a história. Achei subtil demais. E houve temas abordados, que poderiam ter sido bastante mais explorados, mas foram-no de uma forma bastante superficial.

O Nuno referiu na apresentação que a ideia inicial para este livro era uma história sobre o Cristianismo, mas que depois acabou por ser uma história sobre roubo de arte. Ainda que alguns elementos sobre o Cristianismo estejam lá ou não fosse o livro sobre A Última Ceia.

Mas se calhar, acima de tudo, foi isso o que mais me faltou. Foi não haver mais, muito mais informação histórica sobre o Cristianismo.

Acho que se este livro tivesse aliado a história do roubo de arte a um enquadramento mais explorado sobre a história do Cristianismo teria sido perfeito. Assim, parece-me que me faltou metade do livro.

É que o Nuno fez isso tão, mas tão bem no Pecados Santos, que é impossível não comparar os dois livros!

Infelizmente vou dar 3 estrelas a este livro no Goodreads, porque dei 4 estrelas ao Pecados Santos e, por comparação, apesar de a escrita ser boa, não lhes consigo dar a mesma pontuação.

Se este tivesse sido o primeiro livro do Nuno que lia talvez lhe desse mais. Mas comparando com os outros livros, achei-o inferior.

Nuno, que isto não te desanime. É uma opinião e vale o que vale. Já vi opiniões muito positivas sobre o livro. Se calhar fui eu que não entendi alguma coisa, ou não percebi todas as subtilezas. Tinha de facto uma expectativa muito alta e estava à espera de algo diferente e bastante mais desenvolvido.

Espero ansiosa pelo próximo volume, talvez sobre o Cristianismo, explorado tão bem como foi feito no Pecados Santos, e repleto de aventura à mistura.